O olhar do imigrante percebe as coisas totalmente diferentes dos locais. Tem coisas que sao naturais para eles, mas que para mim sao estranhas, esquisitas ou fora de lugar. Por exemplo…as maes espanholas têm o costume de dar o lanche pros filhos na porta da escola, quando a criança sai do portao. Tiram das suas bolsas sanduíches de salame, presunto e afins, frutas cortadas, biscoitos e sucos de caixinha, e os pequenos começam a comer ali mesmo, de pé, amontoados na calçada.
Sempre achei estranho e até engraçado isso. Por que nao vao para suas casas e comem sentados na mesa tranquilamente? Talvez porque suas maes o levem para os parques depois da escola. Mas aí penso…por que nao vao ao parque, sentam num banco para que seus filhos comam mais comodamente?
Hoje mesmo com o vento gelado, e todas na porta da escola ao invés de irem com suas crianças pra suas casas quentinhas.
Mas nao…elas estao ali exigindo que os filhos abram a boca e comam tudo o que trouxeram com uma urgência, como se as pobres crianças estivessem mortas de fome. Ou entao querem mostrar às amigas quem tem o lanche melhor. Nao sei…vai entender…
A felizarda desse ano foi Ángeles Caso, que é filha de um famoso catedrático da Universidad de Oviedo, que chegou a ser reitor da mesma universidade. Como geralmente acontece em todo o mundo, o mundinho da “panela” literária. Filha de… amiga de…= portas abertas. Justamente o que eu disse ontem, nesse post.
“Contra el viento” (título bem clichê) é uma narrativa de aventura e açao, que conta a história de uma heroína de Cabo Verde, uma mulher que imigra para a Europa e passa muito mal (outra novidade).
Ángeles Caso perdeu o protagonismo para o catedrático e escritor Pere Giamferrer, que desmaiou na hora do discurso da ganhora. Bateu a cabeça, deixando um ferimento. Foi atendido, mas nao é nada grave. Veja video.
Update (10:26 hrs): entrevista ao vivo com Angeles Caso no “Está Pasando” , de Antena 3, a autora conta que se inspirou numa “amiga” pra escrever o livro. “Amiga” essa que era a empregada da sua casa, pessoa que cuidou da sua casa e filhos para ela poder estar livre para fazer as suas coisas. Também Emílio Calderón, segundo lugar, que escreveu “La bailarina y el inglés”. Antes só havia escrito literatura infanto- juvenil e conseguiu ganhar o prêmio com um livro do gênero policial, que mistura humor negro e novela de época.
Nao, nao dá. Seria necessário duas ou três vidas para ler tantas coisas, boas e más; tantas descobertas, principalmente aquelas que nos deixam com a sensaçao de ser uma formiga, “nada sei”. Depois de tantas horas de dedicaçao à leitura, tanto dinheiro investido e tantas horas de busca e pesquisa, sem esperar nada em troca, por quê entao nao desistimos?
Uma coisa é certa pra quem se dedica ao mundo das Letras: quase nunca você vai ser recompensado financeiramente à altura pelo seu esforço- a nao ser que escreva um best- seller ou um tratado científico de suma importância. Esforço, dedicaçao, trabalho, talento, família e amigos influentes ajudam, mas existe uma coisa que nao controlamos, que é a sorte. Esse elemento tao impalpável e injusto às vezes. Pra alguns ela chega rápido e muda tudo; pra alguns, ela nunca vem, se vem nao se reconhece, ou chega tarde demais. A sorte nao enxerga merecimentos, é tao aleatória como uma roleta- russa, que atira no que passar ocasionalmente.
Eu fico aqui parada olhando a minha biblioteca já grande pro tamanho dos meus olhos, mas nao do meu olhar, e desejo que eu consiga ter tempo e capacidade pra entender tudo isso. Porque minha funçao na vida é essa: entender. Embora nao saiba muito pra quê. Uma guerra perdida, antes do final.
Enquanto vou pensando inúteis pensamentos, vou criando azuis com Blue, Blues & Azuis:
Consegui comprar esse livro em Portugal, na Espanha nao existe pra vender. Fiquei feliz de conseguir essa coletânea!
Eu acho esse cara o mais genial da literatura brasileira, de todos os tempos, em se tratando de poesia. É uma poesia, que de tao boa, me emociona, me faz chorar. Tem tantas e tao lindas, que abri o livro ao acaso e saiu essa:
“Me acabei como aqueles des- heróis de Callais
que Rodin esculpiu: nus de orgulhos e
de suas esperanças. Só de camisoloes e de
cordas no pescoço. Pesados de silêncio e da
tarefa de morrer.
Nenhum dos favoritos ao prêmio Nobel de Literatura desse ano foi o ganhador. Levou a alema de 57 anos, Herta Müller, que tem uma história familiar dramática, já que a sua mae foi prisioneira em um campo de concentraçao soviético. Dizem os críticos que a autora é uma autêntica representante da prosa lírica.
“The Foreign View, or Life Is a Fart in a Lantern”, 1999
“The Land of Green Plums”, 1999
“A Lady Lives in the Hair Knot”, 2000
“Home Is What Is Spoken There”, 2001
“The King Bows and Kills”, 2003
“The Pale Gentlemen with their Espresso Cups”, 2005
“Atemschaukel”, 2009
(fonte: Folha Online)
A obra que fez a autora ganhar o Nobel de Literatura foi “Atemschaukel”, que narra a história de Leo, de 17 anos que passou 5 anos em um campo de concentraçao soviético.
Hoje sairá o ganhador do Nobel de Literatura que será revelado ao vivo de Estocolmo, via Youtube.
Segundo o jornal espanhol El País, os dois favoritos sao o americano Philip Roth e o israelense Amos Oz. Nao há na lista nenhum escritor de língua portuguesa.
Essa pergunta é muito relativa: quando o livro é bom, pode ter 500 páginas que a leitura corre fácil e quando você se dá conta, já chegou ao final. Em contrapartida, uma obra de 200 páginas chatas pode ser um suplício, portanto, a quantidade de páginas nao importa muito.
Mas um livro para ser considerado novela como gênero, geralmente tem entre 60.000 a 200.000 palavras ( ou de 300 a 1200 páginas), com variaçoes.
“Luar na lubre” é um grupo musical da Galícia (Espanha, onde fala- se galego- português) que toca um estilo raro, antigo, culto e belo, a música celta. A voz é de Sara Louraço Vidal, mas nesse vídeo canta Rosa Cedrón, sua predecessora. “Chove en Santiago”:
Os celtas viveram na Galícia, em outras províncias da Espanha e chegaram até Coimbra em Portugal no ano VI a. C.
Outros cantores e grupos espanhóis de música celta: Carlos Nuñez, Milladoiro e Gwendal.
“Luar na lubre” foi- me apresentada por Alessandra Mattos que é Flickrer, ilustradora, designer e apaixonada pela banda:
“Identidade Perdida” é um curta- metragem escrito por André Parish Bamberg e o protagonista é Kadu Veiga (Carlos Eduardo Veiga Araújo), veja sinopse:
“A questão da perda de documentos é encarada como um dos grandes entraves junto aos órgãos públicos responsáveis pelo setor: aumenta as demandas de trabalho, provoca a superlotação nos estabelecimentos competentes, além de causar sérios transtornos de ordem legal, a exemplo dos crimes de falsidade ideológica, estelionato e clonagem. Partindo desta abordagem, o filme conta a história de Paulo Soares, um cidadão brasileiro de aproximadamente 30 anos, que resolve renovar sua carteira de identidade. Ao se deparar com o caos burocrático e o congestionamento das enormes filas, nosso protagonista presencia um indivíduo que acabara de tirar a identidade retornar ao balcão de senhas para solicitar uma nova via, afirmando que havia perdido a anterior, minutos após deixar o local. O descuido do homem revolta Paulo que o acusa de ser um dos grandes responsáveis pelo atraso de todo o processo. Transtornado, o protagonista inicia um discurso inflamado ali mesmo, no balcão de senhas, tendo como público os integrantes da fila em que se encontra. Mas, o que Paulo não sabia, era que, ao sair daquele órgão com sua nova identidade, a vida iria lhe pregar uma peça.” (filmabrasil.com)
O roteiro está participando de um concurso e você pode votar aqui: “Identidade perdida”
Sinceramente, cheguei a pensar que “A viagem do elefante” seria o último livro do escritor português, mas ainda bem que nao e vai ser lançado no próximo mês de outubro “Caim”, um livro contra Deus e as escrituras: Veja o vídeo oficial da apresentaçao da obra:
Diz o refrão que não há bem que sempre dure nem mal que ature, o que vem assentar como uma luva no trabalho de escrita que acaba aqui e em quem o fez. Algo de bom se encontrará neste textos, e por eles, sem vaidade, me felicito, algo de mal terei feito noutros e por esse defeito me desculpo, mas só por não tê-los feito melhor, que diferentes, com perdão, não poderiam eles ser. Às despedidas sempre conveio que fossem breves. Não é isto uma ária de ópera para lhe meter agora um interminável adio, adio. Adeus, portanto. Até outro dia? Sinceramente, não creio. Comecei outro livro e quero dedicar-lhe todo o meu tempo. Já se verá porquê, se tudo correr bem. Entretanto, terão aí o “Caim”.
P. S – Pensando melhor, não há que ser tão radical. Se alguma vez sentir necessidade de comentar ou opinar sobre algo, virei bater à porta do Caderno, que é o lugar onde mais a gosto poderei expressar-me.
Fica a dúvida se a despedida é do blog ou do mundo literário. Mas ele deixa claro que nada é definitivo também.
O objetivo* do Acordo Ortográfico que entrou em vigor no Brasil em janeiro desse ano, é padronizar a língua.
Na prática, isso é possível? Oralmente, impossível. Ortograficamente, mais ou menos, o que acaba ficando tudo na mesma, porque se duas formas gráficas sao aceitas(BR)/aceites(PT), entao o que muda na prática afinal?Alguns poucos acentos e muito dinheiro gasto com as novas ediçoes corrigidas.
Perguntei recentemente à uma amiga professora de português no Brasil como andava a nova ortografia na sua sala de aula. E ela me respondeu: “Que nova ortografia?!” Choque. Quase 9 meses que o Acordo está em vigor e essa professora continua com a “velha” ortografia. Pior, nem sabia da existência da nova…
E Portugal será ainda mais resistente às mudanças. Os países europeus sao mais conservadores que os americanos em relaçao aos seus idiomas. Vai hacer resistência. Vamos ver o que acontece quando o Acordo começar em janeiro de 2010 (segundo o Ministro da Educaçao) em terras lusas. Isto é, se isso chegar a acontecer. Em Lisboa nem se toca nesse assunto, como se nao existisse.
*Nunca se sabe se é isso mesmo ou se é algo que fica oculto para a populaçao, algum outro tipo de interesse, como o financeiro, que nos tempos atuais é o que move o mundo.
Um grupo com fotos de livros e tudo relacionado ao mundo literário com morada no Flickr, que nao é só um site de hospedagem de fotos, mas também um lugar para aprender sobre fotografia, além de conhecer gente muito bacana:
Na época em que eu estudava na universidade, representamos a obra “Morte e vida severina”, de Joao Cabral e sua presença continua viva na minha memória.
Em um longo e intenso texto escrito em versos, o autor conta a saga dos nordestinos do Brasil, da seca, da morte, da sina a que sao submetidos diariamente. O personagem principal “Severino”, representa a força e a sorte do homem sertanejo à mercê da natureza; esse homem só pode contar com as suas crenças, a sua fé e solidariedade. Povo que divide o que nao tem, ajuda a quem precisa. Severino passa a ser adjetivo, ele representa os “severinos” do sertao nordestino, os severinos que estao acostumados a lidar com a morte no seu dia a dia, mas que celebram a vida e a esperança que insiste em brotar em cada nascimento:
— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
Depois de ler “O rapaz do pijama às riscas”, de Jhon Boyne, que me deixou com mau sabor na boca, o autor lançou “O garoto no convés”. Pra vocês verem que o negócio do escritor é mesmo com os meninos, ele tenta imitar a fórmula do primeiro livro, inclusive na capa que é muito parecida. Como a originalidade nao é o seu forte, deve ser mais uma imitaçao de alguma obra já consagrada.
Um livro bem mais bacana e original é o “Leite derramado”, do Chico Buarque, que parece que vem se dedicando mais à literatura que à música ultimamente. Um livro curto (200 págs) e que narra a saga de uma família tradicional brasileira dentro de um contexto social relatado baixo uma visao realista e pessimista. Melhor comprar livros de escritores que sabem e entendem de literatura. Com certeza é uma obra que deve ter uma linguagem rica e bem escrita e uma trama bem amarrada.
“O vendedor de sonhos e a Revoluçao dos anônimos”, de Augusto Cury, uma trama interessante dentro do gênero da literatura fantástica, o Mestre que vende sonhos continua a saga que começou com “O vendedor de sonhos”.